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[RESENHA] Persépolis

Livro: Persépolis

Autora: Marjane Satrapi 

Editora: Companhia das Letras







Quando fui decidir o que postar hoje me dei conta que eu ainda não tinha feito resenha de "Persépolis". Aí veio a duvida. POR QUE EU NÃO FIZ ISSO ANTES?

Enfim...surto passado, vamos ao que interessa. 

Ganhei esse livro de natal da minha irmã. E, verdade seja dita, foi a minha primeira HQ, mas foi amor a primeira vista....ou lida no caso. 

Foi daqueles livros que você lê em um dia só porque não consegue parar. Foi difícil até almoçar e tomar banho nesse dia. Não queria ficar um segundo sem ele. 

Não é novidade que eu AMO histórias do Oriente Médio, ainda mais as reais, ainda mais as autobiografias. Então pronto, "Persépolis" já tinha tudo pra eu me apaixonar. 


Marjane conta como se viu obrigada a usar o véu aos 10 anos de idade e frequentar uma sala só com meninas, após a Revolução Iraniana de 1979, que instaurou uma ditadura islâmica no país.

Seus pais, que sempre foram liberais acharam melhor mandar Marjane estudar na Áustria. E assim a menina se viu sozinha em um país estrangeiro aos 14 anos. 

De volta ao Irã, Marjane se formou em Belas Artes e depois se estabeleceu em Paris. 

Toda a história é contada com muito humor e de maneira bem didática. 

A introdução do livro faz um breve panorama do Império Persa, hoje Irã. 

"Persépolis" também virou filme e concorreu ao Oscar.

Foi a primeira HQ que eu li e não me arrependo. "Persépolis" é amor demais!!!!

Melhor preço: Livraria Cultura R$ 30,90

Filme: Persépolis

[RESENHA] 1984

Livro: 1984

Autor: George Orwell

Editora: Companhia das Letras



Capa atual




Não sou a maior fã do Orwell, mas esse foi apenas o segundo livro que li dele. Acho ele um pouco maçante e prolixo, e tenho dificuldade de me manter com atenção constante à história. 


Porém, assim como em Como morrem os pobres e outros ensaios, que já teve resenha aqui no blog, precisei fazer também para a faculdade uma resenha sobre 1984. E mesmo sem gostar do livro, obtive nota máxima com ela.


Essa resenha foi para a minha aula de jornalismo online, por isso as inúmeras referencias de jornalistas e sobre a privacidade nos dias de hoje.



George Orwell não era vidente, mas previu o futuro com uma precisão assustadora. A diferença é que hoje procuramos “O grande irmão”. O vocabulário da Novafala, novo vocabulário que pretendia excluir todo tipo de expressão e limitar ao máximo o pensamento das pessoas, se assemelha ao novo vocabulário usado na internet, que abrevia todo o tipo de palavra e faz parecer ultrapassado quem não o usa. Em novafala também tinha palavras que designavam crimes como vidapropria e pensamentocrime.

Diversos autores da atualidade se basearem em Orwell para tentar explicar o fenômeno que vivemos hoje. A internet hoje guia nossa vida. Precisamos estar a todo o momento conectados ao facebook, e as redes sociais. Isso se tornou o nosso “Grande Irmão” e a necessidade de nos expormos ao outros, mostrar nossa felicidade, nossas conquistas, acaba tolhendo nossa vida própria, nossos pensamentos íntimos.

O pior de tudo é não percebermos como estamos sendo vigiados a todo instante, e achar isso normal, como mostra estudos realizados na China, o país tem o maior numero de usuários da internet e é também o maior censor. Porém 76% dos chineses se sentem livre da fiscalização do governo.

Fernando Reinach em uma coluna para um jornal impresso atenta para o fato de ser possível prever aspectos da vida amorosa dos usuários do facebook apenas pela relação de amigos que você estabelece em sua rede social.

É assustador perceber que nos idos da década de 40 alguém já pudesse ver com tanta clareza o que aconteceria num futuro não tão distante. Talvez esse fato somado ao estilo detalhista do escritor George Orwell o livro não me pareceu agradável como outros tipos de literatura.

A revolução digital levou a uma mudança radical em várias áreas da vida humana. Novas doenças e síndromes surgiram com o acesso diário com que somos bombardeados de informações, as profissões tiveram que se adaptar, principalmente o jornalismo. Com a facilidade de reportar, denunciar, contar e mostrar a realidade, os jornalistas tiveram que aliar e aprender com a internet e como interagir no cyber espaço. Nem todos que estão nas redes sociais são jornalistas, e temos que saber exatamente o que nos distingue dos “jornalistas de redes sociais”.

Assim como no livro, a nossa privacidade também ficou ameaçada com a era digital. Tanto, que ate o governo precisou criar leis sobre o que pode ou não na internet. É comum nos dias de hoje vermos todo tipo de conteúdo divulgado na rede e muitas vezes sem o conhecimento dos protagonistas dos vídeos e fotos.

O mundo está todo conectado a apenas um click. Podemos interagir com a Rússia, Nova Zelândia ou Alaska. Porém estamos nos afastado do que está realmente perto. Falta hoje aprender a viver com essa nova realidade e como se comportar na internet, nem tudo é aceitável, nem tudo é compartilhável.


Assim como em 1984, no qual os membros do partido não conseguem se lembrar de como era o mundo antes, para nós também é difícil lembrar os anos que antecederam o avanço da internet, tanto que parece que estamos falando de outra realidade. 

Melhor preço hoje: Ponto Frio R$: 25,40




A Insustentável Leveza do Ser

Livro:  A Insustentável Leveza do Ser

Autor: Milan Kundera


A Insustentável Leveza do Ser é mais um daqueles livros em que você se apaixona de cara, só pelo título. Pra mim, é um dos títulos mais bonitos da literatura. Faz refletir profundamente antes mesmo de começar a primeira página. Essa antítese nos faz pensar no porque da insustentabilidade, pensar na profundidade do ser.

Nunca tinha lido nada de Milan Kundera, mas algumas fontes literárias confiáveis vinham me recomendando já há algum tempo. Baixei Risíveis Amores no celular e dei uma espiada nas primeiras páginas, mas não terminei de ler ainda. Os livros físicos acabam sendo sempre prioridade...

Um dia, estava na casa de uma amiga, e praticamente toda vez que vou lá, faço uns empréstimos na prateleira dela... Assim, A Insustentável Leveza do Ser veio para minha casa, no feriado de carnaval.

Finalizei primeiro alguns livros que estava lendo, e aproximadamente duas semanas atrás peguei este pra ler.

Já nas primeiras páginas, o autor nos questiona sobre o peso e a leveza do ser.

“O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos fardos é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da realização vital mais intensa. Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.

Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi-real, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.

O que escolher então? O peso ou a leveza?”.

Dessa forma, o autor começa a nos apresentar os personagens e o momento em que a história começa.

Estamos em Praga, na década de 60. Sob o regime comunista e a opressão.

A história se reveza em nos contar sobre Tomas, Tereza, Sabina e Franz, e as formas como suas vidas se cruzam, se escapam e se frustram no decorrer dos anos.

Tomas é um libertino, que quase que sem escolhas, se casa com Tereza, a mulher apaixonada que foi atrás dele num momento de impulsividade.

Sabina é amiga e a amante preferida de Tomas. É fugaz, contraditória, sexual. Tem na traição um modo de vida. Não a traição carnal. A traição ideológica sobretudo.

Franz é idealista. Se apaixona por Sabina, e mantém com ela uma relação extraconjugal por um tempo.

Milan Kundera disseca o ser humano em seus desejos, essência e dualismo, através desses quatro personagens.

Por exemplo, Tereza continua casada com Tomas, mesmo sabendo e odiando suas traições. Acredita que não tem nada no mundo, a não ser ele. Tomas por sua vez, apesar de amá-la, não consegue deixar de lado a vida infiel. Nos fazendo pensar se o peso seria realmente cruel, e a leveza realmente desejável.

É através desses antagonismos leveza/peso, corpo/alma, força/fraqueza, mergulhados no cenário político da invasão russa na Tchecoslováquia, que coloca por vezes as personagens em situações sem escolhas, que as trezentas e poucas páginas do romance se desenrolam.

Kundera trás também reflexões sobre temas diversos em passagens como:

“...os amores são como os impérios: desaparecendo a ideia sobre a qual foram construídos, morrem com ela”

“Se, ainda recentemente, a palavra merda era substituída nos livros por reticências, isso não se devia a razões morais. Afinal de contas, não se pode pretender que a merda seja imoral! A objeção à merda é metafísica. O instante da defecação é a prova cotidiana do caráter inaceitável da Criação. Das duas uma: ou a merda é aceitável (e nesse caso não precisamos nos trancar no banheiro!), ou a maneira como fomos criados é inadmissível.”

“Para Tereza, o livro era o sinal de reconhecimento de uma irmandade secreta (...) Eles lhe ofereciam uma chance de evasão imaginária, arrancando-a de uma vida que não lhe trazia nenhuma satisfação, mas tinham também para ela um sentido como objetos: gostava de passear na rua com livros debaixo do braço. Era para ela o que a elegante bengala de um dândi do século passado. Eles a distinguiam das outras”


Ele faz, além de tudo, com que nos demos conta de que as questões existenciais dos personagens não são muito diferentes das nossas próprias. Denso, profundo e notável. Vale a pena!

Mais sobre A insustentável leveza do ser: Filme

Onde encontrar pelo melhor preço hoje: Casas Bahia - R$17,00

Como Morrem os Pobres e Outros Ensaios

Livro: Como morrem os pobres e outros ensaios

Autor: George Orwell





Confesso que se não fosse pela faculdade, provavelmente eu não escolheria esse livro em uma prateleira para comprar e ler. Porém como ele fazia parte do Projeto Leitura, optei por não baixar o PDF e comprar.

George Orwell foi um grande romancista e cronista que está em alta nos dias atuais, lembro-me de ver várias pessoas na Bienal do Livro esse ano com exemplares de “Revolução dos Bichos” e “1984”, dois grandes sucessos do autor.

O livro é um compilado de ensaios feitos no período da Segunda Guerra Mundial, e vai de ensaios muito bons e empolgantes, aos ensaios maçantes.

Os primeiros ensaios o autor viveu como indigente inglês, atrás de albergues para passar a noite e de trabalhos em troca de alguns pences. Esses para mim foram os melhores ensaios, é impressionante imaginar que pessoas viveram assim, em lugares imundos, comendo mal, e migrando de um lugar ao outro. A condição de pobreza extrema choca e prende a atenção. Orwell quis também vivenciar a experiência de uma prisão, e por isso tentou por diversas vezes ser preso, ate finalmente conseguir, e fazer um relato sobre isso em outro ensaio. E finalizando esses ensaios, ele relata um hospital no qual ficou internado em Paris, um hospital para indigentes, onde os pacientes eram tratados como meros objetos de estudos dos médicos e residentes.

Depois disso, os ensaios são sobre a literatura inglesa da época, discursos dos ditadores, e a covardia intelectual. E nesse ponto, o livro, pelo menos para mim, ficou chato. Pois embora brilhantes os ensaios, é complicado para nós entendermos o que ele fala sem termos vivido na época e lendo uma mera tradução do inglês para o português, que perde o sentido de muito que ele explica.

Já no final, os últimos ensaios são sobre a infância dele em uma escola preparatória, e nesse ponto o livro volta a ficar interessante. Os ensaios são mais curtos e a mudança de assunto faz nossa atenção demorar a se dispersar.

Enfim, como disse no começo do post, não é um livro que compraria para puro lazer, não achei o livro maravilhoso, mas gostei de ter lido. Principalmente os primeiros ensaios.

Melhor preço: Saraiva

O Garoto no Convés

Livro: O Garoto no Convés

Autor:  John Boyne







Todo mundo conhece John Boyne como autor do emocionante  “O menino do pijama listrado”, porém poucas pessoas leram sua outra obra “O garoto no convés” , tão envolvente quanto o outro livro.

John tem a facilidade de escrever história de garotos marcantes, podemos perceber isso em seus dois livros, mas o personagem principal de “O garoto no convés” me cativou mais que Bruno, personagem principal de “O menino do pijama listrado”.

John Jacob Trunstille é um garoto pobre e órfão, vive na casa de um senhor que recruta garotos para roubar e fazer outros serviços para ele. Em um dia de “trabalho” John conversa com um fidalgo francês sobre livros antes de lhe roubar o relógio. Perseguido e capturado pela polícia, John recebe a pena de 12 meses de cárcere, porem, antes de ser levado para a prisão. O fidalgo aparece para mudar seu destino. Ele retira a queixa de roubo contra o menino em troca de o menino trabalhar para um navio a serviço da Marinha Inglesa, como criado do capitão.

O inicio do garoto a bordo do navio não é fácil. Ele é o mais baixo empregado da embarcação e por conta disso é rejeitado por todos, e o balanço no navio o deixa doente nos primeiros dias de navegação, mas com o tempo, Trunstille vai se acostumando ao navio e ao emprego, e descobre no capitão uma pessoa boa, que lhe da atenção e troca confidencias, sem nunca esquecer a diferença de patentes.

O menino descobre com o tempo qual a missão do navio, levar fruta-pão para alimentar os escravos na colônia da inglesa da Índia. E após terem que refazer a rota, chegam ao Taiti. Os marujos se sentem no paraíso, e melhoram de aparência durante a estada na ilha, com comida em abundancia e o contato com as mulheres da ilha.

Trunstille conhece o primeiro amor com uma nativa, e sempre que pode foge do trabalho para ficar com Kaikala. É com ela também que ele conhece sua primeira decepção amorosa, ao descobrir a traição da garota.

O clima na ilha piora quando três homens desertam e fogem do trabalho e o capitão proíbe os marujos de ficarem na ilha, eles trabalham e voltam ao navio para dormir todas as noites, isso gera um clima de revolta na tripulação.

Ao embarcarem para a vigem de volta à Inglaterra, o livro da uma reviravolta, e acompanhamos a mudança na vida de John Jacob Trunstille a partir de uma mudança drástica em sua vida.

Não vou contar o que acontece com a tripulação e nem com o garoto para não perder a graça do livro. Mas garanto que é uma excelente aventura náutica que nem percebemos passar as mais de 400 páginas, e é impossível não se apaixonar pelo garoto John Jacob Trunstille. Um livro que vale muito a pena ler!!!

O livro já está esgotado no fornecedor, mas ainda é possível encontrar edições novas e usadas no site Estante Virtual com o preço partindo de 14 reais!!!!

Eu sou Malala

Livro: Eu sou Malala - A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã

Autora: Malala Yousafzai com Christina Lamb







O post de hoje é dedicado a minha primeira (auto)biografia. Sempre tive um certo preconceito contra esse gênero literário, por achar ser mais um propaganda que um livro. Mas me rendi a Malala no começo de 2014 e não me arrependo, foi o inicio de um caso de amor com as biografias!

O livro escrito em parceria com a jornalista correspondente no Paquistão, Christina Lamb, é um retrato fiel do que enfrentam os muçulmanos nas regiões dominadas pelo Talibã.

Não me lembro ao certo quando me apaixonei pela cultura islâmica, mas eu ainda estava na escola. E desde então, sempre procurei ler, e saber mais sobre o que acontecia, principalmente no Afeganistão e no Paquistão, e nenhum livro me proporcionou tanto conhecimento como esse.

O livro é dividido em 5 partes: Antes do Talibã, O vale da morte, Três meninas três balas, Entre a vida e a morte e Uma segunda vida. 

Malala nos apresenta a um Paquistão antes de ser dominado pelo Talibã, passando pelo processo no qual o Talibã começa a assumir o controle das províncias paquistanesas, o momento do acidente, como ela foi tratada e as consequências disso em sua vida. O livro é muito bem escrito e faz você querer saber mais e mais sobre tudo o que foi vivido pelos paquistaneses. É um problema atual o qual vemos noticias tristes todos os dias na TV sobre a região. Mas a coragem da menina que enfrentou o Talibã, tendo a coragem de expor os problemas a nível internacional escrevendo para a BBC com certeza nos faz refletir sobre como enfrentamos os nossos problemas. A leitura é rápida e fácil, e espero que todo mundo se encante pela Malala assim como eu!

Nos links, o melhor preço para se adquirir o livro e o documentário produzido pelo New York Times com a história de Malala e suas colegas de classe!

Onde encontrar pelo melhor preço, hojeAmericanas.com.br

Onde mais posso encontrar a história: Class Dismissed - New York Times
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