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[RESENHA] O morro dos ventos uivantes

Livro: O morro dos ventos uivantes

Autora: Emily Brontë

Editora: Martin Claret Série Ouro





Gente do céu, to muito relapsa. Essa é a minha primeira resenha do ano. Mas prometo que a ausência é porque to atrás de coisas novas pro blog. 

Pra essa resenha, sugiro que vocês deem o play e leiam ouvindo essa música. SÉRIO!


Bom, vamos a resenha. "O morro dos ventos uivantes" é um clássico, isso acho que todo mundo sabe, mas quem nunca deu importância pra ele, talvez tenha uma ideia errada do livro.

Eu tinha!

Acho que era a soma da música e o fato do livro ser o favorito da personagem Bella, do Crepúsculo, eu pensava que era uma história de amor bem água com açúcar. 

Sim, é uma história de amor. Mas uma história de amor bem deturpada, se posso dizer assim. 



O sr. Lockwood se muda para Granja do Tordo, alugada de Heathcliff. Lockwood deseja então conhecer o dono da propriedade. E percebe uma família estranha e perturbada na casa. Depois de ficar preso no Morro dos ventos uivantes, casa de Heathcliff, por conta de uma nevasca, Lockwood chega à Granja e fica de cama. Pede então para a caseira Sra. Dean a conta a história de Heathcliff e sua família. 

Ai a história começa a ser intercalada, com momentos do passado e do presente. 

O sr. Earnshaw, pai de Hindley e Catherine, em uma viagem de negócios volta para casa com uma criança, sem nome, quase da mesma idade de Cathy. Essa criança é nomeada de Heathcliff. 

Heathcliff e Hindley nunca se deram bem, mas Heathcliff e Catherine logo se tornam inseparáveis. E enquanto o sr. Earnshaw viveu, Heathcliff foi tratado como patrão. 
Hindley foi mandado para fora para estudar, e voltou para o velório do pai, casado. 

A partir de então, Heathcliff foi tratado como empregado e Catherine se aproximou dos moradores da Granja, Isabella e Edgar Linton. 

A esposa de Hindley morre após dar a luz a Hareton, e a sra. Dean passou a cuidar da criança. Quando Catherine aceita o pedido de casamento de Edgar, Heathcliff foge. 

Com Catherine casada e morando na Granja, Heathcliff volta mudado e muito rico, volta a viver no Morro, mesmo contra a vontade de Hindley e ai começa a sequência de vinganças. 

Acho que se eu me prolongar além disso, corro o risco de dar vários spoiler pra quem tem vontade de ler, só digo uma coisa, o final não é feliz e os personagens machucam uns aos outros como vingança pelo que lhes foi feito, todos! A história termina com um final mais tranquilo e com a sra. Dean contando para Lockwood o que aconteceu desde que ele partiu da Granja, meses atrás e como acabou o ciclo de vinganças. 

É um clássico, e como tal, vale a pena ser lido. A leitura é um pouco longa e nem sempre tão fluída, pela linguagem mais arcaica e vezes pela enrolação da história. 

Melhor preço: Saraiva

[RESENHA] Navegue a lágrima

Livro: Navegue a Lágrima

Autora: Letícia Wierzchowski

Editora: Intrínseca






Esse livro foi lançado no primeiro semestre desse ano e foi o primeiro livro da Letícia que tive o prazer de ler. 

Quando postei no insta que estava iniciando essa leitura, muita gente veio comentar ou sobre ele ou sobre as outras obras delas, que ja estão anotadas pra leituras próximas =)

Agora vamos ao que interessa.

Pra começar, a edição é LINDA! Ele é todo escrito no meio da página e em azul *-*

Enquanto lia, logo no inicio, tive a mesma sensação de solidão que senti ao ler Cem Anos de Solidão. Embora as histórias não sejam nada parecidas, a sensação foi a mesma. 

Depois lembrei do filme "A Casa do Lago", acho que é um filme da Sandra Bullock com o Keanu Reeves que ninguém lembra, tenho essa sensação de "filme abandonado".

Quem nos conta a história é Heloísa, e apesar de contar a história, o nome dela é tão pouco citado que quase nem lembrei. 

Heloísa tem por volta de 60 anos, e vive em uma casa na península uruguaia, sozinha. Ela se separou do marido e viveu alguns anos em São Paulo com o novo companheiro, Lucas. E após a morte dele, resolveu mudar e deixar pra trás as lembranças.

Essa casa era de uma escritora com quem Heloísa havia trabalhado na juventude, Laura. E assim, a família de Laura retorna a casa através de Heloísa, e revivem os dias felizes.

Acho que fui confusa agora, mas é assim que é.

Heloísa passa a ver (sonhar ou imaginar) a família de Laura, seu marido e dois filhos, vivendo dias passados na casa, quando ainda era deles. 

E essa convivência imaginária com a família de Laura faz Heloísa se recuperar da perda do amor de sua vida. 

A narração mescla momentos da vida de Laura e momentos da vida de Heloísa. Duas mulheres que apesar das tristezas vividas, encontraram a felicidade e a paz no final. 

O livro é delicado e as histórias são costuradas como se fossem um tecido bem delicado (não entendo de tecido, desculpa)

Ansiosa para ler mais obras da Letícia =)

Melhor preço hoje: Saraiva R$ 9,80

*No momento da pesquisa a Saraiva está em promoção, o preço normal esta entre 18 e 29 reais*

[RESENHA] Doze

Livro: Doze

Autor: William Gladstone

Editora: Planeta



Que atire a primeira pedra quem nunca teve medo do fim do mundo. Confesso que de 99 pra 2000 eu MORRI de medo. Quando lançaram o filme 2012 eu já não tinha mais tanto medo assim.

Esse livro foi um achado na rodoviária de Campinas. 

E como todos, inciei a leitura sem expectativas.

Gosto assim, quando a surpresa é boa!

Em um romance incrível, Gladstone revela alguns mitos e verdades sobre a lenda maia do fim do mundo. 

Max é um jovem que sempre se sentiu especial. Era odiado pelo irmão, e durante uma experiencia de quase morte, Max viu doze nomes em doze cores diferentes. Sua mãe falou pra ele não se preocupar com os nomes e assim o momento foi deixado de lado. 

Max foi pra Yale e após um trabalho polemico foi afastado da universidade e impedido de frequentar as aulas de filosofia. 

Já formado, Max começou a trabalhar com o pai até receber uma proposta para fazer parte da pesquisa de locação de um documentário. 

Nesse novo trabalho, Max conheceu o primeiro dos doze nomes. E isso se repetiu com intervalos diferentes de tempo por toda a sua vida, ate finalmente entender o significado deles. 

O romance, óbvio, é ficcional, mas as lendas que dão base as histórias são verdadeiras e altamente reflexivas. 

A verdade sobre a lenda do fim do mundo de 2012 é tão incrível que eu fiquei meio chateada comigo por nunca ter pensado nisso antes. 

Li em dois dias as pouco mais de 200 páginas. E leria de novo e de novo. 

Sem grandes preciosismos, o livro é bem simples, e por vezes a história é bem absurda, mas talvez seja isso que prenda a atenção do leitor. 

Já terminei outro livro depois desse, mas ele ainda está ecoando na minha cabeça. 


Melhor preço: Amazon R$13,23

[RESENHA] Sob o céu de Cabul

Livro: Sob o céu de Cabul

Autora: Andrea Busfield

Editora: Agir





Fawad é um garoto de 10 anos que nasceu à sombra do Talibã, como sua mãe costuma dizer. Ele e a mãe foram abrigados pela tia, após o Talibã destruir a sua família. A irmã de Fawad, Mina, foi sequestrada e o pai se uniu a Aliança do Norte para lutar contra os fundamentalistas. Após o pai ter sido dado como morto, Bilal, o irmão mais velho de Fawad, também se juntou a Aliança do Norte e nunca mais voltou. 

É assim que somos apresentados a Fawad. E eu, como boa amante do Oriente Médio e principalmente do Afeganistão, me encantei com o livro ainda na estante apenas pelo nome e pela capa linda. 

Quando comecei a ler, não que foi difícil de manter a leitura, mas passei um bom tempo imaginado como um romance no Afeganistão poderia se diferenciar do que o Khaled Hosseini já havia feito. 

E assim fui, aos poucos me encantando pela história. O personagem principal tem 10 anos, então alguns pensamentos são meio abstratos, e ai entendemos a magia do livro, um livro adulto contado por uma criança. 

A vida de Fawad e sua mãe mudam quando eles sao convidados a morar na casa de uma estrangeira, Georgi, que contrata a mãe de Fawad como cozinheira e lavadeira, de Gerogi, James e May, 3 estrangeiros que vivem em Cabul. 

Fawad passa a ter seu proprio quarto e televisão, e passa a viver em um padrão elevado para o país. 

O menino gosta de brincar de detetive e em uma de suas "missões" a mãe o pega bebendo com James. Por conta desse episódio Fawad é obrigado a trabalhar no período depois da escola em uma loja, com um cego. 

Um dia Fawad descobre que Georgi mantem um relacionamento com um dos afegãos mais importantes do país. 

E a história passa a se desenrolar sobre o amor de Georgi e Haji Khan e  amor que Fawad e Georgi sentem um pelo outro.

O livro é leve, e te deixa com um sorriso no rosto após terminar. Sem contar que o exercício mental para imaginar o cenário em que o livro passeia, te faz viajar. 

É a típica leitura de final de noite ou de final de semana chuvoso (só ta faltando a chuva né? =p)

Melhor preço: Livraria Cultura R$ 24,90

[RESENHA] Se eu ficar

Livro: Se eu ficar

Autora: Gayle Forman

Editora: Novo Conceito



Se eu ficar liderou as paradas de vendas dos livros de ficção no ano passado. Apesar do sucesso do livro e do lançamento do filme em 2014, só me interessei pela obra esse ano. 

Como toda boa bookaholic, vi uma promoção do livro Se eu ficar e da continuação Pra onde ela foi? por 9,90 (ou 19,90???) cada e comprei os dois. Queria ver o porque da euforia com esse livro. 

É um livro de ficção juvenil, curto e de leitura rápida. Mia é uma jovem comum, exceto pelo seu talento com o violoncelo. Mia tem um irmão mais novo Teddy e pais liberais. Namora o rockeiro da escola, Adam, que esta começando a fazer sucesso com sua banda. 

Mia sabe que seu futuro com Adam esta comprometido se ela decidir ir para Julliard, em Nova York estudar música. 

Em uma nevasca intensa e com as aulas canceladas em virtude do tempo, a família de Mia resolve fazer um passeio de carro. Eles sofrem um acidente e só Mia sobrevive, porém em coma internada na U.T.I.

Mia demora a entender o acidente, pois ela acorda e vê seu carro destroçado, ve seus pais mortos e enquanto procura por seu irmãozinho Teddy, encontra um corpo que acredita ser o dele, porem ve que é o seu. 

Mia acompanha todo o processo do resgate e acompanha seu corpo ao hospital. Lá ela ve a movimentação da família e de amigos e espera por Adam. 

O livro alterna momentos passados na U.T.I e memórias de Mia com a família, o inicio do namoro, o teste em Julliard...

O que marca Mia é a fala de uma enfermeira, que diz que a escolha de ficar ou partir é dela. A partir daí Mia passa a pesar se vale a pena ficar mesmo sem seus pais e seu irmão. 

Particularmente, mesmo gostando do livro, não entendi o motivo do alvoroço. É um livro bonito e gostoso, mas para figurar por tanto tempo como o mais vendido, eu certamente esperava mais. 

A continuação segue o mesmo padrão, mas, eu volto com ela mais pra frente. 

E vocês, já leram Se eu ficar??? O que acharam????


Melhor preço: Casas Bahia R$ 13,41

Filme: Se eu ficar - Trailer Oficial

[RESENHA] A verdade sobre o caso Harry Quebert

Livro: A verdade sobre o caso Harry Quebert

Autor: Joel Dicker

Editora: Intrínseca 





Pensei e li muito para escrever sobre esse livro. Pensei, porque, estou aprendendo na aula de estética na faculdade a como fazer crítica literária e li, porque vi diversas opiniões sobre esse livro. Indo do céu ao inferno. 

As primeiras impressões foram boas. Minhas mãe ganhou esse livro de natal da minha irmã, e lembro que ela contou que tinha pedido ajuda na livraria e esse livro estava sendo muito bem recomendado. 

Minha mãe leu e gostou. Ponto. Não emitiu nenhum comentário sobre o livro, apenas que era "Bom". Peguei o livro pra ler antes da minha irmã, e ontem, vi que ela já passou da metade na história e pudemos fazer nossas considerações, superficiais pois ela ainda não acabou. E a opinião dela foi mais ou menos semelhante a minha. 

Pode parecer que estou em cima do muro, mas não achei o "lixo" que muitas críticas falaram e nem a "obra prima" que outras pessoas destacaram. 

O enredo é bom. Não é o mais criativo, mas prende a atenção. Marcus Goldman fez muito sucesso com seu livro de estreia mas esta tendo problemas para escrever o segundo livro. Ele se refugia na casa de seu mestre, Harry Quebert, que foi um grande escritor e encerrou a carreira como professor universitário.  

Após passar um tempo na casa de Harry, Marcus volta a Nova York quando a descoberta de um cadáver no quintal de Harry ganha a mídia. Sem pensar Marcus volta a Aurora para ajudar Harry. Contra a vontade de seu editor, Marcus decide ficar em Aurora e investigar sobre a história de Nola, adolescente que foi encontrada morta no quintal de Harry.

A primeira parte do livro é narrada de forma decrescente. E sempre com um diálogo entre Marcus e Harry no começo. 

A história me prendeu a atenção e li bem rápido o livro. Meus problemas com o livro começaram com a aparição da personagem Nola, nos relatos dos moradores e de Harry. A personagem é fraca e sem carisma, não cria empatia com o leitor. Claro que o problema de Nola é explicado no final do livro, de toda maneira, pouco convincente. 

A mãe de Marcus é uma personagem caricata que também não convence. Acho bem difícil encontrar alguém como ela no mundo real.

Por fim, fiquei na dúvida se o livro é mal escrito ou se a tradução não conseguiu captar a essência verdadeira do livro, criando pontos de conflito. 

Em todo caso, não deixaria de recomendar esse livro para as pessoas. Ele é um ótimo livro de lazer e só.

A Intrínseca lançou a pouco tempo outro livro do autor "O ultimo dia de nossos pais" ambientado na Segunda Guerra Mundial e estou curiosa pra ver como Dicker se saiu com um pano de fundo real para sua história.

Melhor preço: Amazon R$ 17,90


[RESENHA] 1984

Livro: 1984

Autor: George Orwell

Editora: Companhia das Letras



Capa atual




Não sou a maior fã do Orwell, mas esse foi apenas o segundo livro que li dele. Acho ele um pouco maçante e prolixo, e tenho dificuldade de me manter com atenção constante à história. 


Porém, assim como em Como morrem os pobres e outros ensaios, que já teve resenha aqui no blog, precisei fazer também para a faculdade uma resenha sobre 1984. E mesmo sem gostar do livro, obtive nota máxima com ela.


Essa resenha foi para a minha aula de jornalismo online, por isso as inúmeras referencias de jornalistas e sobre a privacidade nos dias de hoje.



George Orwell não era vidente, mas previu o futuro com uma precisão assustadora. A diferença é que hoje procuramos “O grande irmão”. O vocabulário da Novafala, novo vocabulário que pretendia excluir todo tipo de expressão e limitar ao máximo o pensamento das pessoas, se assemelha ao novo vocabulário usado na internet, que abrevia todo o tipo de palavra e faz parecer ultrapassado quem não o usa. Em novafala também tinha palavras que designavam crimes como vidapropria e pensamentocrime.

Diversos autores da atualidade se basearem em Orwell para tentar explicar o fenômeno que vivemos hoje. A internet hoje guia nossa vida. Precisamos estar a todo o momento conectados ao facebook, e as redes sociais. Isso se tornou o nosso “Grande Irmão” e a necessidade de nos expormos ao outros, mostrar nossa felicidade, nossas conquistas, acaba tolhendo nossa vida própria, nossos pensamentos íntimos.

O pior de tudo é não percebermos como estamos sendo vigiados a todo instante, e achar isso normal, como mostra estudos realizados na China, o país tem o maior numero de usuários da internet e é também o maior censor. Porém 76% dos chineses se sentem livre da fiscalização do governo.

Fernando Reinach em uma coluna para um jornal impresso atenta para o fato de ser possível prever aspectos da vida amorosa dos usuários do facebook apenas pela relação de amigos que você estabelece em sua rede social.

É assustador perceber que nos idos da década de 40 alguém já pudesse ver com tanta clareza o que aconteceria num futuro não tão distante. Talvez esse fato somado ao estilo detalhista do escritor George Orwell o livro não me pareceu agradável como outros tipos de literatura.

A revolução digital levou a uma mudança radical em várias áreas da vida humana. Novas doenças e síndromes surgiram com o acesso diário com que somos bombardeados de informações, as profissões tiveram que se adaptar, principalmente o jornalismo. Com a facilidade de reportar, denunciar, contar e mostrar a realidade, os jornalistas tiveram que aliar e aprender com a internet e como interagir no cyber espaço. Nem todos que estão nas redes sociais são jornalistas, e temos que saber exatamente o que nos distingue dos “jornalistas de redes sociais”.

Assim como no livro, a nossa privacidade também ficou ameaçada com a era digital. Tanto, que ate o governo precisou criar leis sobre o que pode ou não na internet. É comum nos dias de hoje vermos todo tipo de conteúdo divulgado na rede e muitas vezes sem o conhecimento dos protagonistas dos vídeos e fotos.

O mundo está todo conectado a apenas um click. Podemos interagir com a Rússia, Nova Zelândia ou Alaska. Porém estamos nos afastado do que está realmente perto. Falta hoje aprender a viver com essa nova realidade e como se comportar na internet, nem tudo é aceitável, nem tudo é compartilhável.


Assim como em 1984, no qual os membros do partido não conseguem se lembrar de como era o mundo antes, para nós também é difícil lembrar os anos que antecederam o avanço da internet, tanto que parece que estamos falando de outra realidade. 

Melhor preço hoje: Ponto Frio R$: 25,40




Um mais um

Livro: Um mais um

Autora: Jojo Moyes

Editora: Intrinseca



Já declarei aqui no blog, na resenha de "A garota que você deixou pra trás" que sou fã da Jojo. Quando vi em Janeiro que "Um mais Um" estava em pré-venda nos sites, quis comprar na hora. Mas a falta de verba me impediu. Comprei um pouco depois do lançamento e em Março já havia devorado o livro em menos de uma semana.

Acho que o que acontece quando você começa a ler um livro de um autor que você já gosta é deixar a expectativa la em cima, e as vezes com isso se decepcionar. Sorte que não foi o que aconteceu. 

Outros livros da autora
A história é narrada em cada capítulo por um de seus personagens, e tem um final até bem previsível. Mas isso não me impediu de chorar. Sim, eu chorei. Acho que a vida dura de Jess, personagem principal, sua batalha e chegar a acreditar que nem sempre a felicidade é possível, me comoveu. 

Mas bem, vamos por partes.

A história gira em torno de quatro personagens:

Jess: Jovem perto dos 30 anos, tem dois empregos para manter a família. Foi abandonada pelo marido, que com esperança de estabilizar a situação financeira, nunca mais voltou. Mãe de Tanzie e madrasta de Nicky, que cuida e cria como se fosse seu filho.

Ed: Nerd, ficou milionário ao fundar uma empresa de informatica com o amigo de faculdade. E está ameaçado de perder tudo, por, sem querer, ter dado informações privilegiadas para o seu antigo amor de faculdade com quem estava saindo.

Tanzie: Filha de Jess, prodígio da matemática com apenas 10 anos, sonha em ir para uma boa escola.

Nicky: Enteado de Jess, usa rímel e jeans skinny e apanha na escola por conta disso. 

O livro começa com Ed sendo acusado de passar informações privilegiadas e tendo que se afastar de sua empresa. Por recomendação do advogado, Ed se refugia em sua casa de veraneio. A mesma casa que Jess e sua amiga fazem faxina para completar renda. 

Em uma dessas faxinas, Jess tem um desentendimento com Ed. 

Tanzie, sua filha, consegue, por intermédio do professor de matemática, uma bolsa de 90% em uma escola de alto padrão. Porém, a renda de Jess não é suficiente para bancar os 10% que faltam, mais manter a casa. 

A solução aparece quando o professor de matemática inscreve Tanzie para as Olimpíadas de Matemática, que renderia em prêmio dinheiro suficiente para bancar a escola da menina. 

Jess, Nicky, Tanzie e o cachorro Norman, embarcam em uma viagem de carro até a Escócia, onde serão as Olimpíadas. Porém não chegam a sair da cidade, já que o carro de Jess não pode circular, por estar com os documentos vencidos.

Ed passa de carro bem no momento em que Jess esta sendo abordada pela policia, reconhece sua faxineira e vai ao seu encontro como tentativa de se redimir pela discussão em sua casa. 

Jess reluta mas explica o problema para Ed, que encantado por Tanzie e por sua inteligencia acaba sendo convencido a leva-los de carro ate a Escócia. 

A história se desenrola durante a viagem, e oscila em momentos em que tudo parece que vai dar certo e momentos em que tudo parece que vai dar certo.

Apesar de uma história obvia, ela é comovente e cativante. Gosto da Jojo e da sua escrita, ela é fácil de ler e envolve o leitor de maneira a não largar o livro até acabar. 

Não consigo decidir qual é o meu favorito dela ainda, porém esse foi o único que me fez chorar. 


Melhor preço: Fnac - R$ 20,90




A Insustentável Leveza do Ser

Livro:  A Insustentável Leveza do Ser

Autor: Milan Kundera


A Insustentável Leveza do Ser é mais um daqueles livros em que você se apaixona de cara, só pelo título. Pra mim, é um dos títulos mais bonitos da literatura. Faz refletir profundamente antes mesmo de começar a primeira página. Essa antítese nos faz pensar no porque da insustentabilidade, pensar na profundidade do ser.

Nunca tinha lido nada de Milan Kundera, mas algumas fontes literárias confiáveis vinham me recomendando já há algum tempo. Baixei Risíveis Amores no celular e dei uma espiada nas primeiras páginas, mas não terminei de ler ainda. Os livros físicos acabam sendo sempre prioridade...

Um dia, estava na casa de uma amiga, e praticamente toda vez que vou lá, faço uns empréstimos na prateleira dela... Assim, A Insustentável Leveza do Ser veio para minha casa, no feriado de carnaval.

Finalizei primeiro alguns livros que estava lendo, e aproximadamente duas semanas atrás peguei este pra ler.

Já nas primeiras páginas, o autor nos questiona sobre o peso e a leveza do ser.

“O mais pesado dos fardos nos esmaga, verga-nos, comprime-nos contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o fardo do corpo masculino. O mais pesado dos fardos é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da realização vital mais intensa. Quanto mais pesado é o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais real e verdadeira ela é.

Em compensação, a ausência total de fardo leva o ser humano a se tornar mais leve do que o ar, leva-o a voar, a se distanciar da terra, do ser terrestre, a se tornar semi-real, e leva seus movimentos a ser tão livres como insignificantes.

O que escolher então? O peso ou a leveza?”.

Dessa forma, o autor começa a nos apresentar os personagens e o momento em que a história começa.

Estamos em Praga, na década de 60. Sob o regime comunista e a opressão.

A história se reveza em nos contar sobre Tomas, Tereza, Sabina e Franz, e as formas como suas vidas se cruzam, se escapam e se frustram no decorrer dos anos.

Tomas é um libertino, que quase que sem escolhas, se casa com Tereza, a mulher apaixonada que foi atrás dele num momento de impulsividade.

Sabina é amiga e a amante preferida de Tomas. É fugaz, contraditória, sexual. Tem na traição um modo de vida. Não a traição carnal. A traição ideológica sobretudo.

Franz é idealista. Se apaixona por Sabina, e mantém com ela uma relação extraconjugal por um tempo.

Milan Kundera disseca o ser humano em seus desejos, essência e dualismo, através desses quatro personagens.

Por exemplo, Tereza continua casada com Tomas, mesmo sabendo e odiando suas traições. Acredita que não tem nada no mundo, a não ser ele. Tomas por sua vez, apesar de amá-la, não consegue deixar de lado a vida infiel. Nos fazendo pensar se o peso seria realmente cruel, e a leveza realmente desejável.

É através desses antagonismos leveza/peso, corpo/alma, força/fraqueza, mergulhados no cenário político da invasão russa na Tchecoslováquia, que coloca por vezes as personagens em situações sem escolhas, que as trezentas e poucas páginas do romance se desenrolam.

Kundera trás também reflexões sobre temas diversos em passagens como:

“...os amores são como os impérios: desaparecendo a ideia sobre a qual foram construídos, morrem com ela”

“Se, ainda recentemente, a palavra merda era substituída nos livros por reticências, isso não se devia a razões morais. Afinal de contas, não se pode pretender que a merda seja imoral! A objeção à merda é metafísica. O instante da defecação é a prova cotidiana do caráter inaceitável da Criação. Das duas uma: ou a merda é aceitável (e nesse caso não precisamos nos trancar no banheiro!), ou a maneira como fomos criados é inadmissível.”

“Para Tereza, o livro era o sinal de reconhecimento de uma irmandade secreta (...) Eles lhe ofereciam uma chance de evasão imaginária, arrancando-a de uma vida que não lhe trazia nenhuma satisfação, mas tinham também para ela um sentido como objetos: gostava de passear na rua com livros debaixo do braço. Era para ela o que a elegante bengala de um dândi do século passado. Eles a distinguiam das outras”


Ele faz, além de tudo, com que nos demos conta de que as questões existenciais dos personagens não são muito diferentes das nossas próprias. Denso, profundo e notável. Vale a pena!

Mais sobre A insustentável leveza do ser: Filme

Onde encontrar pelo melhor preço hoje: Casas Bahia - R$17,00

Dois Rios

Livro: Dois Rios


Autor: T.Greenwood

Editora: Novo Conceito








Depois de Oriente Médio e Segunda Guerra Mundial, acho que ta na hora de uma leitura mais light. Mas isso não necessariamente significa menos emocionante.

Dois Rios é uma história simples, de um pai viúvo, Harper, criando sua filha de 12 anos, Shelly. Harper foi ofuscado pela morte do amor de sua vida e mãe de Shelly, Betsy. E desde então parou de almejar coisas melhores para sua vida.
Harper trabalha na estação de trem da cidade de Dois Rios, e leva uma vida pacata. O início do livro, e ao longo dele, flashbacks da vida de Harper são apresentados ao leitor, revelando aos poucos o suspense da história.

Na manhã do aniversário de morte de Betsy e aniversário de 12 anos de Shelly, Harper acorda, prepara cupcakes para a garota e segue para o trabalho normal, sem ter consciência que aquele dia sua vida vai mudar.

Ao chegar na estação, Harper percebe uma estranha agitação, e logo ve o acidente. Um trem com destino a Montreal descarrilou e caiu em um dos rios que da nome a cidade. Harper pula no rio a procura de vítimas mas não encontra ninguém. No caminho de volta ao escritório porém, Harper encontra uma menina de aproximadamente 15 anos, negra e grávida. Dois Rios era uma cidade sem negros.

A garota, Maggie, pede ajuda de Harper, contando que havia sido expulsa de casa pelo pai e estava a caminho da casa de uma tia quando do acidente. Harper leva a garota para sua casa, para poder avisar a família. Shelly logo se afeiçoa a Maggie, que sempre inventa uma desculpa para não ir embora encontrar sua família. Isso intriga Harper, que começa a pesquisar sobre a garota misteriosa em sua casa.

A história se desenrola, alternando momentos em que o livro está acontecendo, e momentos passados. E uma surpresa revela a importância de Maggie na vida de Harper.
A história é suave e fácil de ser lida, e nos deixa uma mensagem de que sempre teremos uma segunda chance para repararmos nossos erros.

Melhor preço: Submarino
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