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Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos

Título: Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos

Autor: Luis Fernando Veríssimo

Editora: Objetiva

Vamos começar esse primeiro post de 2015 com minha primeira leitura de 2015. =)

Mas antes disso, quero colocar que o desafio proposto pela Isa no post anterior está aceitissimo! Quem ler mais livros, dá um de presente para a outra no fim do ano. Certo. ;)

Então vamos falar de Veríssimo



“Os últimos quartetos de Beethoven e Outros Contos” é mais um livro que me apaixonei pelo título e pela capa primeiro. Costumava vê-lo na livraria das rodoviárias, nos anos da primeira faculdade, em que eu vivia de ponte-rodoviária entre São Paulo – Campinas – Rio Claro.

Mas demorei um tantão para ler!

É um livro só de contos do autor, que traz simplicidade e cotidiano na narrativa, incluindo nelas um pouquinho do inusitado, e do quase bizarro.

São 9 contos: O Pôster, Os últimos quartetos de Beethoven, Bolero, Lo, Contículo, Obsessão, Memórias, A Mancha, O Expert e A mulher que caiu do céu.

Os meus preferidos foram os dois primeiros, além de Obsessão e A Mancha.

"O Pôster" fala sobre um casal que vai receber a visita do chefe do marido para o jantar, e confabula se devem ou não esconder o pôster de Che Guevara, além de outras coisas da sala, para não causarem uma impressão equivocada. Muito divertido!

"Os últimos quartetos..." fala sobre a “turma da Lívia”, uma garota incrível que “domina” uma turma de rapazes... achei muito bom, é engraçadinho no começo e se torna melancólico.

"Obsessão" é todo sobre a ponta do nariz de uma moça.

E "A Mancha" tem uma discreta (ou não) crítica à Ditadura Militar e às torturas dessa época.

De alguns contos gostei mais do que outros, obviamente, mas não deixei de gostar de nenhum, nem de “Lo”, que é mais pesado, contando um caso de uma mulher de quase 40 anos com um menino de 12. Acredito que esse conto não deve ter sido muito bem aceito e engolido pelos leitores.

Em resumo, a leitura é bem gostosa e fluida, li inteiro de uma vez. Vale a pena, se você procura uma leitura leve e divertida. =)


Onde encontrar pelo melhor preço hoje:  Extra.com - R$8,46 (corre pro saldão!!!!)

Não sei... Só sei que foi assim...

Livro: Auto da Compadecida

Autor: Ariano Suassuna


Como apreciamos muito a literatura brasileira também, o post de hoje é em homenagem a Ariano Suassuna e seu famigerado Auto da Compadecida.
Auto da Compadecida é uma peça teatral em forma de auto, que foi escrito em 1955, por Ariano Suassuna, com base em romances e histórias populares do Nordeste.
A peça gira em torno do sagaz João Grilo e do frouxo e mentiroso Chicó ("não sei... só sei que foi assim..."), empregados de uma padaria, cujos donos são muito avarentos e tratam melhor seu cachorro do que seus funcionários.


- João Grilo: ...E a raiva que eu tenho é porque quando estava doente, me acabando em cima de uma cama, via passar o prato de comida que ela mandava p’ro cachorro. Até carne passada na manteiga tinha. Pra mim nada, João Grilo que se danasse. Um dia eu me vingo!


            O cachorro morre e João Grilo e Chicó arrumam confusão para persuadir o padre a dar a benção, antes que seja enterrado. Dizem que o cachorro pertence a um poderoso homem da cidade, cujo motor do carro o padre já benzeu, assim não teria problema se benzesse o cachorro.
Quando o padre está convencido, Antonio Morais, o homem poderoso, vai à igreja pedir benção a seu filho. O padre achando que se tratava ainda do cachorro, fala coisas que deixa Antonio furioso. O diálogo é muito bem desenvolvido e engraçado.
Depois da confusão arranjada, Chicó e João avisam que o cachorro é da mulher do padeiro, e que o bichinho era devoto e deixou em testamento 10 contos de réis para a igreja. O bispo e a padre estavam contra a benção, devido à confusão com Antonio Morais, até o momento de saber do dinheiro. Assim fazem o enterro, inclusive em latim.
Para se vingar, João arranja um gato para dar para a mulher do padeiro, em substituição do cão finado. Inventam que o gato “descome” dinheiro, e a patroa, gananciosa, o compra imediatamente. Uma das melhores partes do livro, sem duvidas.


- João Grilo: Está aí o gato
- Mulher: E daí?
- João Grilo: é só tirar o dinheiro
- Mulher: Pois tire
- João Grilo: (virando o gato pra Chicó, com o rabo levantado) Tire aí, Chicó!
- Chicó: Eu não, tire você!
- João Grilo: Deixe de luxo, Chicó, em ciência tudo é natural.
- Chicó: Pois se é natural, tire.
-João Grilo: Então tiro. [Passa a mão no traseiro do gato e tira uma prata de cinco tostões.] Está aí, cinco tostões que o gato lhe dá de presente.


Quando ela descobre que o gato não “descomia” dinheiro, vai atrás dos dois, porém Severino, o cangaceiro, invade a cidade e faz com que seu capanga mate o padre, o bispo, o padeiro e a esposa.
No momento de executar João Grilo e Chicó, João engana Severino com uma suposta gaita mágica, que faz ressuscitar os mortos, convencendo Severino a morrer para encontrar Padre Cícero, e depois voltar com o poder da gaita.
O capanga vendo que Severino não ressuscitava mata João Grilo.
Todos os mortos se encontram para o julgamento final, onde se encontram Jesus e o Diabo. João Grilo consegue convencê-los de que a presença de Nossa Senhora é necessária. Todos os mortos recebem dela sua sentença, e João consegue uma nova chance de voltar para a Terra.

A narrativa do livro é simples e divertida, e de leitura fácil. Li inteiro de uma vez!
Aparecem elementos da literatura de cordel, cultura popular e religiosidade, além do regionalismo nordestino. Também é possível perceber a sátira social, em elementos como a morte e ressurreição, dinheiro comparado a excremento, ambicioso tomando por verdade uma história absurda, pois a ambição o cega, entre outros. Vale a pena a leitura!!

Onde posso encontrar pelo melhor preço hoje: Livraria Saraiva - R$11,90
Onde mais posso encontrar a história: O Auto da Compadecida - O Filme - Também muito bom!!! Matheus Nachtergaele está perfeito de João Grilo. =D




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