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O Livreiro de Cabul

Livro: O Livreiro de Cabul

Autora: Åsne Seierstad

Editora: Best Bolso



Quando comecei minha fixação por Cabul, esse foi um livro que eu sabia que tinha que ler. E mesmo demorando 8 anos até finalmente comprar o livro, posso dizer que a espera valeu a pena.

“O Livreiro de Cabul” é um relato fiel da primeira primavera após a queda do Talibã no poder de Cabul. A autora é uma jornalista de guerra norueguesa, que um dia em uma livraria em Cabul conheceu Sultan, e conversando com o dono da livraria, resolveu que queria contar a historia dele, não por ser uma história diferente, mas justamente por ser a história do povo afegão. O pedido de viver com a família Khan foi aceito e o livro são os relatos da convivência dela com a família.

Se pudesse descrever o livro em apenas uma palavra seria: Perfeito. O livro é simples, sem preciosismos e relata a vida desses afegãos. Cada capitulo um membro dessa grande família nos é apresentado. E saber que toda a história é real torna tudo mais emocionante.

Åsne retrata o desejo de Sultan de esposar uma menina de 18 anos como segunda esposa, e como essa ideia foi aceita pela família e principalmente pela primeira esposa, Sharifa. O filho mais velho, que trabalha na livraria do pai e vive atrás de alguma mulher, e quer ter sua própria vida. A irmã mais nova do livreiro, Leila, que sonha em ser professora e não aguenta mais a vida de escreva que leva servindo a família Khan. Bibi Gul a mãe do livreiro. E é impossível terminar de ler o livro sem se sentir intimo de todos eles, e compartilhar um pouco suas frustrações e alegrias.


Sou da opinião que temos que conhecer os diferentes e nos colocarmos no lugar para só assim tentarmos entender, e relatos como esse nos ajudam, mesmo que de uma forma bem reduzida a compreender essa sociedade tão diferente da nossa. Mas além disso, o livro tem um quê de romance que nos faz ler rapidinho para sabermos o final.

Melhor preço: Submarino

O Diário de Anne Frank

Livro: O Diário de Anne Frank

Autor: Anne Frank – Edição definitiva por Otto Frank e Mirjam Pressler


Há muitos anos tinha vontade de ler O Diário de Anne Frank. Lembro de ter ouvido falar dele pela primeira vez aos 13 ou 14 anos (ou seja, faz mais de 10 anos *velha*), na escola, e desde então sempre ficou a curiosidade de lê-lo. Mas calhava de nunca conseguir comprá-lo, ou de dar prioridade a outros livros.

No começo desse ano, minha mãe estava na igreja, e uma senhora deixou uma caixa de livros pra doação, que provavelmente iriam parar no lixo. Ela trouxe a caixa pra mim. Alguns levei pra trocar no sebo, alguns doei pra uma biblioteca, e fiquei com alguns. A grata surpresa da caixa é que tinha O Diário de Anne Frank, assim bem novinho, provavelmente vindo de uma escola do estado.



Li o livro em menos de uma semana, e esse é um tempo recorde de leitura pra quem tem dois empregos e faz faculdade =p

O livro é a publicação do diário pessoal de Anne, que foi escrito entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944.

Nesse período, sendo judeus alemães, morando na Holanda, a família Frank, se vê obrigada a procurar um lugar para se esconder, após deflagrada a perseguição contra os judeus. Unem-se a mais 4 pessoas, e passam a viver escondidos no anexo do sótão do escritório de Otto Frank (pai de Anne), chamando-o de Anexo Secreto. Vivem no Anexo durante dois anos, até serem delatados em 1944, e enviados a campos de concentração.

Durante esse tempo, Anne utilizava seu diário, e único instrumento de liberdade, para relatar o cotidiano no Anexo, suas angustias, esperanças, medos e transformações.



A ultima anotação do diário é de 1º de agosto de 1944, 3 dias depois, as 8 pessoas que moravam no Anexo foram presas. As duas secretárias que trabalhavam no prédio, e ajudavam as famílias, encontraram e guardaram o diário. Após o fim da guerra, tendo somente Otto Frank sobrevivido, elas o entregaram a ele. Após alguns anos, ele decidiu realizar o desejo expresso da filha em seu diário em publicá-lo. O Diário foi publicado em 1947.

Após ter passado por Auschwitz, Anne, com então 15 anos, morreu de tifo no campo de Bergen-Belsen, perto de Hanover na Alemanha, poucos dias depois de sua irmã Margot, por volta de um mês antes do fim da guerra, e do campo ser libertado. =´(

Durante a leitura, por mais que já soubesse o fim, passei a ter por eles, as mesmas esperanças de Anne. Ao término do livro, da uma sensação de mal estar e até raiva, por vermos todos os desejos e expectativas se dissipando.

Os relatos de Anne destacam as pequenas alegrias e as grandes raivas e tristezas de uma vida incomum, conflitos da transformação de menina para mulher, conflitos com a família, e as outras pessoas moradoras do Anexo, desejos, e o despertar do amor por Peter, sua fé, e uma notável nobreza de uma adolescente amadurecida pelo sofrimento.

Destaquei alguns trechos interessantes do livro, para que a resenha traga algo mais que dizer que é uma obra sobre a sobrevida na guerra, e que mostre a expressão desses sentimentos de Anne, conflitos de opinião sobre a própria situação, e principalmente seu desejo de escrever para o mundo:

 “Eu poderia passar horas contando a você o sofrimento trazido pela guerra, mas só ficaria ainda mais infeliz. Só podemos esperar, com toda calma possível, que ela acabe. Judeus e cristãos esperam, o mundo inteiro espera, e muitos esperam a morte.” (13/01/1943)


“ ‘Me deixem sair para onde existem ar puro e risos!’, grita uma voz dentro de mim” (29/10/1943)


“Quando penso em nossas vidas aqui, geralmente chego à conclusão de que vivemos num paraíso, comparado aos judeus que não estão escondidos. Do mesmo modo, mais tarde, quando tudo voltar ao normal, provavelmente vou ficar me perguntando como é que nós, que sempre vivemos com tanto conforto, pudemos afundar tanto (...)” (02/05/1943)


“Eu me perguntei varias vezes se não teria sido melhor não termos nos escondido, se estivéssemos mortos agora e não tivéssemos de passar por toda essa desgraça, especialmente para que os outros (*pessoas que os ajudavam*) fossem poupados desse fardo. Mas nos encolhemos só de pensar. Ainda amamos a vida, ainda não esquecemos a voz da natureza e continuamos com esperança de... tudo.
Que aconteça alguma coisa logo, até mesmo um ataque aéreo! Nada pode ser mais esmagador do que essa ansiedade. Que chegue o fim, mesmo sendo cruel; pelo menos saberemos se vamos ser vencedores ou vencidos.” (26/05/1944)


 “(...) quando Peter e eu estamos sentados juntos num caixote de madeira, no meio do lixo e do pó, abraçados, Peter mexendo num cacho do meu cabelo; quando os pássaros lá fora trinam suas canções, quando as arvores florescem, quando o sol aparece e o céu fica muito azul – ah, nessa hora eu desejo tanta coisa!” ( 14/04/1944)


“Imagine como seria interessante se eu publicasse um romance sobre o Anexo Secreto. (...) Sério, dez anos depois da guerra, as pessoas achariam muito interessante ler sobre como nós vivemos, o que comemos e sobre o que falamos como judeus escondidos.” (29/03/1944)


“E, se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, sempre posso escrever para mim mesma. Mas quero conseguir mais do que isso. Não consigo me imaginar vivendo como mamãe, a Sra. Van Daan e todas as mulheres que fazem seu trabalho e depois são esquecidas. Preciso ter alguma coisa além de um marido e de filhos aos quais me dedicar! Não quero que minha vida tenha passado em vão, como a da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte!” (05/04/1944)

Não tenha duvidas Anne, que ao menos ESSE desejo seu se realizou...

Onde encontrar mais sobre a história: Anne Frank's House - Museu da Anne Frank

    Localizado em Amsterdã, o prédio onde se localizava o Anexo Secreto, hoje funciona como um Museu sobre Anne Frank, e as outras 7 pessoas que lá viveram.
      Aberta desde 1960, é um dos pontos turísticos mais procurados da cidade. 
    Citações do seu diário, documentos históricos, fotografias, pequenos filmes, e objetos originais que pertenceram aqueles que se encontravam escondidos e às pessoas que os ajudavam, além do diário original de Anne Frank encontram-se disponíveis para serem vistos no museu. 
     Passando pela Holanda, não deixe de visitar ;)



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